quarta-feira, 1 de junho de 2016

jantar às duas e meia da madrugada

como pode o eremita saber das pessoas e do mundo
se ele, voluntariamente, optou por habitar a caverna solitariamente
sabe ele sobre si mesmo
conhece seus devaneios pela convivência intima consigo mesmo
e talvez tal conhecimento o faça se sentir inapto ao coletivo
(mesmo que na verdade seja o contrario)

contudo o eremita se sente limitado demais
em emular os ruídos emitidos pela multidão que escolheu abandonar
é bem verdade que essa escolha o coloca em contato com uma realidade menos afável que a de costume
contudo para ele é mais fácil tolerar uma realidade austera do que se servir da doce ilusão

Em seu habitat natural, o eremita, em contato consigo mesmo, pode ver melhor seus próprios defeitos
e refletir a respeito de modo que somente uma saída realmente adequada seja encontrada
talvez resida nisso o seu ímpeto de se manter avulso
pois ele não considera possível tal dinâmica ocorrer na antibiótica selva de pedras que se tornaram as cidades
[ao menos para os poucos como ele]

por isso ele segue
hermético.

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