quarta-feira, 1 de junho de 2016

jantar às duas e meia da madrugada

como pode o eremita saber das pessoas e do mundo
se ele, voluntariamente, optou por habitar a caverna solitariamente
sabe ele sobre si mesmo
conhece seus devaneios pela convivência intima consigo mesmo
e talvez tal conhecimento o faça se sentir inapto ao coletivo
(mesmo que na verdade seja o contrario)

contudo o eremita se sente limitado demais
em emular os ruídos emitidos pela multidão que escolheu abandonar
é bem verdade que essa escolha o coloca em contato com uma realidade menos afável que a de costume
contudo para ele é mais fácil tolerar uma realidade austera do que se servir da doce ilusão

Em seu habitat natural, o eremita, em contato consigo mesmo, pode ver melhor seus próprios defeitos
e refletir a respeito de modo que somente uma saída realmente adequada seja encontrada
talvez resida nisso o seu ímpeto de se manter avulso
pois ele não considera possível tal dinâmica ocorrer na antibiótica selva de pedras que se tornaram as cidades
[ao menos para os poucos como ele]

por isso ele segue
hermético.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

ritos de passagem

Mais um “rito de passagem” moderno, mais uma vez...
Invejo a felicidade dos meus colegas, resultante da inocência em pensar que, primeiro, aquilo é realmente o sonho dele e, segundo, que "agora tudo está resolvido"
Mas não os culpo, afinal a vida nos é vendida assim mesmo: É como se resumissem a de uma pessoa num filme de 90 minutos e colocassem essa cena como uma dos momentos finais, de síntese.
Coisa que não o é e normalmente nos damos conta algum tempo depois.

Sigo estrangeiro desse mundo, alheio a tudo isso, em silencio, hermético.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Ler e estudar não é o bastante pra ter conhecimento de mundo
quem vive mais no mundo dos livros é sempre mais inseguro e ansioso
por ver se cumprir o que sabe de antemão e com detalhes
Já quem pulou alguns carnavais por ai interage de forma mais afetuosa com a vida
Enxergando beleza em pequenos acontecimentos, sem pressa

como diz a musica:
-Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

bom dia ;)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Alienado, preso na ilha de concreto antibiótico
aqui não ha vida, só trabalho: horário comercial, hora extra e cobrança do chefe
Subsídio minimo pra manutenção do respirar
Confortavelmente preso, fresco graças ao ar condicionado da jaula
de olhos abertos graças ao café
acorda cedo todo dia porque ouviu dizer que é isso que faz um cidadão de bem
e seguiu sem hesitar, movido pela chance de um dia
deixar de ser explorado para então explorar
e desfrutar do esforço alheio, meritocraticamente

Lazer resumido em esquecer
sentidos atenuados pelo álcool, saúda a inconsequência
flerta com a violência timidamente,
Para estes, a vida é um jogo de soma zero

Não se importa que seu escritório seja limpo por um analfabeto ou quase isso
- Esta ta certo, é assim que é e ninguém pode mudar  isso - ele pensa

mas eu, e mais alguns, poucos é verdade
não querem dividir a sala com este peculiar exemplar da nossa espécie

Façam suas guerras, provoquem suas doenças e vendam os remédios a preços absurdos
(cada vez mais acredito inutilidade da nossa medicina)
Medicina dos doutores estressados e sempre tão apegados ao seu título
Exemplos, quase sempre, do inadequado, da falta de paciência e da arrogância
Síntese quase perfeita do selvagem dos planaltos de asfalto e concreto

Eu vou pra onde mora minha tribo....
Pode ser que a minha tribo seja apenas eu mesmo
mas certamente a minha breve existência será mais harmônica do que sua hegemônica frustração
remediada com álcool, prozac e sexo pago.

sábado, 3 de outubro de 2015

É preciso muito talento para continuar sendo um desajustado depois de tudo

segunda-feira, 8 de junho de 2015

a música da ritmo as minhas idéias
desembaraça de maneira caótica os meus pensamentos
e os fazem surgir numa ordem muito mais coerente do que o habitual
(e se posso não me preocupar com absolutamente nada)
consigo ser quem eu realmente sou por horas, sem me apegar à ideia de vida que vendida por aí

Mas isso faria infinitamente mais sentido se eu tivesse alguém para compartilhar
alguem que escutasse com os ouvidos certos o que quero dizer
que vibrasse em qualquer frequência diferente da minha
mas que a frequência das nossas vibrações individuais não colidissem ordinariamente

Seria quase a mesma dinâmica da ideia exposta na primeira parte:
algo desorganizado e tendendo ao completo fracasso
contudo, por muita sorte
vencendo inesperadamente a todo segundo
algo que provavelmente não venceria nunca

E por hora me contendo
com a dose homeopática de felicidade que tenho nesses raros instantes que escuto musica
fazendo as coisas darem certo quando tudo conspira para dar errado
convencendo me pela mesma constatação empírica aqui exposta anteriormente
de que talvez tudo possa fazer sentido individualmente

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sobre quando a conveniência da mentira se torna maior do que o (aparente pequeno) beneficio da verdade, sobre quando alguns consomem desenfreadamente, e outros, no mesmo outono de crise, morrem de frio em dias nem tão frios assim.
Sobre a infelicidade que isso me causa, sobre considerar muito um nível maior de desapego, sobre não desejar mais do que o necessário e acreditar que reúno em mim todos os recursos necessários para viver uma vida plena e realizada sem precisar explorar ninguém para isso.