segunda-feira, 2 de novembro de 2009

o lápis
mortal madeira maculada ao minério
casamento fadado ao fim
digno ou não

e ainda sim
sem ter duvidas
continua a cumprir o seu dever
de registrar tudo que se queira registrar

ora aquela baboseira que não necessitava ser dita
ora o rabisco da criança ansiosa pela sua singela cor
ou então
na mais honrada hora

em que alguém lhe confere a responsabilidade
de deixar impresso a razão de ser
como um simples(e até comum)
"eu te amo".

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ele acordou, e como em todos os dias, pensou em como a sua vida não faz sentido, e se não fosse algum otimismo tão comum quanto a roupa que está vestindo, teria se matado no útero da sua mãe se pudesse.sempre com ressalvas, sempre com uma acidez que não pode passar de brincadeira, vive entre o engraçado e o desgraçado.bons são os momentos em que não se faz necessário pensar, ele pensa que negar a origem animal é uma besteira, e se não fossem tantas frustrações(como começar esse texto e não saber terminar)certamente que ele iria elaborar alguma teoria inútil sobre tal assunto.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Feliz é quem não vê o caos
e então vive como não quer
mal sabe
que a sua razão é vendida aos montes

e sobre quem vê o caos
tenho um sentimento fraterno
nossos demónios são íntimos
e só temos certeza do que não é agradável

e então, nesse eterno bar que a vida se tornou
bebemos e sorrimos o veneno do tempo
e só não estamos loucos porque temos vinte e poucos anos

terça-feira, 6 de outubro de 2009

quem sou eu: uma alma velha num corpo de dezoito anos
o whisky de 12 anos na garrafa errada
ou só outro destilado esquecido no carvalho por acaso
e de que vale a nobreza
ante a ansiedade?

dessas verdades todas que eu ponderei em uma hora
e que você parece levar dias pra compreender
morro a cada segundo
e reencarno em mim mesmo, aflito

e se tudo é relevante em parte
compreendo que esse é o meu papel
e se não for, haveria de ter ficado claro nesses últimos anos
então, mesmo com esse vendaval
lamento por não ter reencarnado num corpo mais velho
mas jamais por você ter teus demónios

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

nessa ultima madrugada até a criação desse texto, senti uma saudade de velhas amenas ideias, ainda não tenho a certeza do que vou fazer, resolvi que vou estudar, resolvi que vou arrumar o quarto e também a casa, e a minha vida, se der.
esse ultimo mês foi denso, pra não dizer pesado, entre a diversão ilícita e as manhãs de bom senso, noto que o respirar se tornou mais fácil, e apesar da companhia perene de certos demonios, creio que as escolhas feitas agora, são mais sabias.E por isso tudo, que pra muitos pode ser tão banal, encerro esse ato extremista do meu ser.
mas o encerramento não significa a negação, nesse caso, tão pouco o arrependimento, sinto que era necessário encarar antigos traumas.
com um tom de diário de meninina que eu odeio, estou conversando comigo mesmo, aqui, nesse bloco de notas as 5:22 da manhã do dia 24/09/2009.quero guardar esse texto, e o ler daqui uns 3 ou 4 anos, ou mais, mas não antes, sinto que a próxima metamorfose vai ser mais demorada, e só quero rever tudo isso quando estiver tranquilo sobre as escolhas que fiz hoje, EXATAMENTE hoje.
pode ser um adeus, um até logo, ou quem sabe até um convite, e se fizer falta, que seja do meu conhecimento, porque o contrario é dito pelo silencio.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Um poema quer fazer outro
e esse outro, um outro
e se não fosse a minha preguiça
faria os todos, sempre
e para sempre

tão vastos poucos anos
cheios de curiosidades vazias
constantes consoantes
do segundo do existir

de carbono
eu e esse papel
não passamos
e não passaremos

assim como esse texto
não passará daqui!
Sons binários
opressivos e arbitrários
descartável
como a carcaça que o produz

eles apostam no improvável
e sem nenhuma razão solida
usurpam toda forma de vida
como se todas elas
os pertencessem